BOSTON – Faz algum tempo que a comunidade de software livre é forte no Brasil. Programadores se dedicam, sem receber nenhum pagamento por isso, a melhorar o sistema operacional Linux, principalmente para o uso em empresas. O Linux é um software de código aberto, disponível gratuitamente. Suas linhas de código estão disponíveis a todos, que podem estudá-lo e modificá-lo sem pedir licença a ninguém.

O ambiente de colaboração no País chega a ser maior, por exemplo, que o visto na China e na Índia pela Red Hat, a maior empresa do segmento de produtos de tecnologia da informação baseados em Linux no mundo. Desenvolvedores de distintas regiões contribuem para o aperfeiçoamento de recursos que depois são incorporados pelo sistema e empregados por grandes companhias.

Jim Whitehurst, presidente da Red Hat, vê potencial grande na comunidade de código aberto brasileira

“O Brasil tem uma afinidade com o código aberto impressionante”, diz o presidente da Red Hat, Jim Whitehurst. Nos bastidores da conferência anual da empresa nesta semana, em Boston, o País foi destaque em praticamente todas as conversas sobre o crescimento desse mercado na América Latina.

De um lado, impressiona a crescente comunidade ativa de desenvolvedores, hoje de dezenas de milhares. São pessoas que ao longo do tempo trocaram o hobby de brincar com o Linux nas horas vagas para se dedicarem profissionalmente a aplicações relacionadas ao sistema.

GeorgeGastaldi, um desenvolvedor de Joinville, baixou em seu computador o JBoss, uma espécie de grupo de ferramentas da Red Hat que permite a construção de aplicativos para a web e sistemas móveis, e logo se destacou com seus testes e sugestões de melhoria. Foi premiado e hoje é engenheiro de software para JBoss (plataforma que, logo quando comprada pela Red Hat, em 2008, tinha no Brasil o segundo país em número de downloads).

De outro lado, destaca-se, para a Red Hat, a abertura das instituições brasileiras a produtos tecnológicos baseados em código aberto. Whitehurst lembra que, no Brasil, o governo é o pioneiro na adoção de softwares livres – o oposto dos Estados Unidos, onde as companhias são geralmente as primeiras a levantarem essa bandeira.

“Até o Lula usou o chapéu da Red Hat”, diz Whitehurst. Um chapéu vermelho, que leva o nome de um dos projeto de código aberto patrocinados pela companhia (Fedora), é o ícone da empresa. Na época, junho de 2009, o então presidente do Brasil sinalizava uma estratégia mais agressiva no País em relação ao uso de software livre. Mas o que foi feito até hoje gerou pouco resultado.

Por questões de confidencialidade, a companhia não revela em quais projetos está envolvida ou não no âmbito governamental. No segmento empresarial, um dos casos de sucesso na adoção de Linux suportado pela companhia é a TAM. Todo o sistema de gestão da empresa aérea, incluindo a contabilidade, está baseada em servidor Linux Red Hat. Serasa Experian, Bovespa e a Polícia Rodoviária Federal são outros clientes da companhia.

Capital

Estar por trás de negócios de peso de grandes instituições em mais de 35 países rendeu à Red Hat uma receita de US$ 1 bilhão no ano fiscal encerrado em 2012. A participação da América Latina nesse bolo não é revelada, mas sabe-se que ela quase triplicou de 2010 para 2012. Cerca de 10% dos novos clientes que chegam à companhia são da América Latina. E três dos sete escritórios da empresa na região estão no Brasil.

Desde que Jim Whitehurst, ex-diretor de operações da Delta Airlines, assumiu a Red Hat, em 2007, o valor das ações da companhia na Bolsa de Valores de Nova York quase triplicou, saltando de US$ 20 para US$ 55.

Considerada uma pedra no sapato da Microsoft, a Red Hat anunciou na conferência novos produtos relacionados a armazenamento em nuvem e também a aquisição da empresa Fusesource. A empresa não tem um concorrente com um portfolio de serviços idêntico, mas compete, em alguns setores, com Novell, Suse e Microsoft.

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Atualizado: 28/06/2012 19:18 | Por Nayara Fraga, do Economia & Negócios, estadao.com.br
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